terça-feira, 29 de junho de 2010

Baruque e a busca por grandeza

Uma pequena meditação em Jeremias 45. 1-5

Baruque era um auxiliar do profeta Jeremias. Aliás, o único seguidor e amigo do profeta. Jeremias pregou por quatro décadas, mas somente o nobre Baruque dava ouvidos e escrevia o era declarado por ele. Baruque era jovem e certamente esperava frutos positivos no ministério do grande profeta, mas nada aconteceu. Jerusalém seria destruída em breve pelos babilônicos, e ele poderia perder até a sua vida. Então veio a decepção: “Ai de mim agora, porque me acrescentou o SENHOR tristeza à minha dor! Estou cansado do meu gemido e não acho descanso” (Jr 45.3).

Aqui aprendemos a primeira lição:

1. O crescimento e o sucesso não são necessariamente resultado de uma vida que agrade a Deus

Quantas vezes não estamos como Baruque? Recebemos talentos de Deus, mas não enxergamos os frutos. Sim, muitos vezes estamos cometendo erros que minam as sementes do crescimento; mas também podemos fazer tudo certo, e mesmo assim nada vingar. Simplesmente a vitória não vem. Ficamos tristes como Baruque, pois sempre temos a mania de pensar que fazer a obra de Deus é garantia de sucesso. O Senhor nos faz acordar e lembrar que insucessos fazem parte da vida cristã.

Costumamos julgar os outros talentos pelos resultados. Achamos que quando existe crescimento o talentoso está sendo abençoado por Deus. Ora, muitos crescem sem nenhum compromisso com o Senhor, simplesmente o crescimento é um inchaço sem sustento. Se crescimento fosse garantia de bênção divina, muitas seitas poderiam ser consideradas a essência do cristianismo. E nem sempre um ministério “derrotado”, pequeno e com dificuldades significa desagrado a Deus, mas simplesmente são contingências que fazem os homens sentirem a maturação na vida pelas provas.

Portanto, se você dirige uma grande Escola Dominical, se você dá palestras para multidões, se você prega para milhares, se você é pastor de uma grande igreja, se você é um blogueiro de sucesso, se você é um escritor de best-sellers... Não pense que Deus está abençoado sua vida como fruto de sua piedade, muitas vezes estamos bem longe de Deus e bem próximos do sucesso no ministério cristão.

Jeremias ganhou somente uma alma, como diríamos no evangeliquês, mas foi um dos maiores profetas que passaram por essa terra. Pedro ganhou milhares de almas em um só dia e também foi um dos maiores homens de Deus da história. O importante não são os números, mas a nossa comunhão com Deus. Se somos líderes de um pequeno grupo ou uma enorme catedral, o importante é a comunhão com Ele.

O interessante é que Deus não deixa o jovem desamparado e sem resposta. Mas certamente ele ouve uma declaração que não esperava. O Senhor relembra que é soberano: “Eis que o que edifiquei eu derribo e o que plantei eu arranco, e isso em toda esta terra” (v. 4). Aqui aprendemos a segunda lição:

2. Deus é soberano e sabe o melhor para as nossas vidas

Parece conformismo de derrotados e complexados pela dominadora religião. Não, a doutrina da soberania de Deus não visa a inércia do homem e nem a passividade diante de qualquer injustiça. Agora, a soberania de Deus é um alerta para que a nossa murmuração não avance diante de nossa ignorância. Conhecemos o futuro? A humanidade nasceu em nós? Teremos todas as respostas? É claro que a resposta para cada uma dessas perguntas é um sonora não.

Mesmo não sendo possível que conheçamos todas as repostas, Deus jamais nos impede de fazer as perguntas e buscar algumas respostas possíveis. Baruque estava desesperado e sem respostas. Ele fez as perguntas. Ele ouviu sobre a soberania divina e recebeu a promessa que não seria morto pelos babilônicos. As provas passadas por ele não eram para mostrar a Deus alguma coisa, mas sim para mostrar a ele mesmo a extensão de seu caráter. Como declarou C. S. Lewis perante a morte de sua amada:

Deus certamente não estava fazendo uma experiência com minha fé nem com meu amor para provar a sua qualidade. Ele já os conhecia muito bem. Eu é que não. Nesse julgamento, Ele bos faz ocupar o banco dos réus, o banco das testemunhas e o assento do juiz de uma só vez. Ele sempre soube que o meu templo era um castelo de cartas. A única forma de fazer-me compreender o fato foi colocá-lo abaixo. [1]

Não podemos entender tudo, pois somos mortais. Mas podemos fazer perguntas. Não precisamos cair no conformismo, e nem muito menos na murmuração vazia de alguém daqueles se achamo centro do mundo e manifestam isso no ato do desespero. Sejamos sim, honestos como os nossos sentimentos, mas buscando sempre ao consolo de Deus.

No versículo 5, Deus pergunta para Baruque: “E procuras tu grandezas?”. Aí chegamos em mais uma lição:

3. Não devemos procurar grandezas

Queremos coisas especiais para nós. Queremos o tratamento diferenciado. Queremos grandeza. Buscamos conforto, segurança, saúde, vigor, prazer... simplesmente o tempo todo. Baruque assim também desejou nos tempos mais difíceis na vida naquela nação. Deus ia destruir o que Ele mesmo construiu. Certamente não fazia isso por prazer. Mas ainda assim Baruque pensava na sua satisfação, como qualquer um de nós provavelmente pensaríamos.

Quando buscamos tanto prazer terreno, deixamos de desfrutar do prazer no Senhor. Quando buscamos tantas alegrias no mundo, esquecemos da alegria vinda de Deus. Assim trocamos Jesus Cristo pela banalidade que é a vida. Vivemos constantemente como hedonistas que pensam somente em como aumentar o prazer e satisfação pessoal.

Como igreja evangélica estamos em uma fase horrível. A busca desenfreada pela prosperidade, curas, supostas libertações e modos de vida perfeitos são os venenos que matam a cada dia a vida na igreja brasileira. Os cultos se resumiram em reuniões de autoajuda fajuta, sendo que o Evangelho e a satisfação em Deus vão ficando para trás.

Essa igreja que busca prestígio deveria simplesmente lembrar a oração do salmista: “SENHOR, o meu coração não se elevou, nem os meus olhos se levantaram; não me exercito em grandes assuntos, nem em coisas muito elevadas para mim” (Sl 131.1). Assim, deixaria a bajulação a políticos e outras formas de ganhar fama e poder.

Referência Bibliográfica:

[1] LEWIS, Clive Staples. A Anatomia de uma Dor: um Luto em Observação. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2007. p 71.

Extraído de Teologia Pentecostal

sábado, 26 de junho de 2010

Quero ver provar que Deus não existe

 

Por Clóvis Cabalau

Esta eu pesquei na Super Interessante deste mês e é para deixar o famoso ateísta e cientista Richar Dawkins de cara amarrada. A revista diz mais ou menos assim: “Se por um lado, para alguns cientistas é impossível admitir que certas coisas acontecem por causa de Deus, por outro, é impossível para a ciência provar que Deus não existe”.

Essa afirmação - que é pura ciência - é uma espécie de tiro no pé dos cientistas que ainda não se convenceram de que uma realidade cósmica tão bem planejada [isso mesmo, planejada] não pode ser obra do acaso, ou do caos, de uma explosão como o Big Bang. Consideremos o “grande boommm”: seria muita ingenuidade achar que a disposição perfeita dos planetas e galáxias [pelo menos como conhecemos hoje] e ainda as condições perfeitas da Terra para a existência de vida tenham sido obra do caos. Francamente, é difícil de engolir essa. Muito mais difícil do que acreditar que existe um Criador superior, que, por misericórdia [ou por amor, prefiro eu], nos deu, inclusive, a capacidade pensante de duvidar Dele.

A “culpa” pela incapacidade da ciência de provar a existência é de Galileu Galieli, autor do “método científico”, adotado pelos pesquisadores. A lógica é a seguinte: em vez de simplesmente especular sobre as coisas, Galilei criou um método mais rigoroso. São quatro etapas e só passando por elas é possível se chegar a uma conclusão irrefutável. As etapas são: Observação [Olhe e perceba algo notável]; Pergunta [O que é?, por exemplo]; Hipótese [busque uma provável resposta]; Experiência [faça um teste em circunstâncias controladas para confirmar ou negar a hipótese]. E agora José? Quero ver um cientista provar que Deus não existe? Cadê a prova da sua não existência? Onde procurá-la? E mais: como seria possível criar um teste para medir a existência de Deus?

O problema para os pesquisadores, frisa a Super, “é que a ciência, ao contrário da igreja, não prova as coisas pela negativa [só explicando: um milagre é reconhecido pelo Vaticano quando a ciência NÃO consegue explicar o fato]. Para a ciência, a inexistência de provas não é uma prova de inexistência. Ainda segundo a Super, “a única coisa que a ciência pode fazer é afastar Deus do nosso dia a dia, explicando o Universo e todas as coisas de forma lógica e racional em vez de atribuí-las a fenômenos sobrenaturais. Mas daí a dizer que Deus não existe, vai uma enorme distância. E se Richard Dawkins não gostar, sempre pode tirar as calças e pisar em cima”.
***
Postou Clóvis Cabalau, tirando uma casquinha do Dawkins, no
Púlpito Cristão

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Graça profana e barro redimido

Leonardo Gonçalves

Quando conduzido ao pecado, me visto de pensamentos hipócritas. Culpo pessoas pelo erro que é meu e desejo beber de uma graça profana. Busco palavras em escritores pífios, desejo ler meus contos prediletos. Rejeito a priori aquele livro de capa negra que me abre a alma como um velcro, e me desnuda o ser quando desfere o corte.

Porque é que desejo ler Brennan Manning e não o Livro? Porque é que desejo tanto ler um capítulo de Phillip Yancey?

Sim, eu sei: É porque estou desesperado por graça; mas é de uma graça profana que não pune o erro. É porque desejo um Deus que me ame sempre, mas fujo do pastor que com cajado fere. É porque desejo ser abraçado como o pródigo, mas esqueço que há disciplina divina para quem erra.

Ainda bem que a Graça é soberana, e sem contemplar minhas preferências, age. Deixa-me ansioso, enche-me de temores, me confronta e humilha. Mas quando atua, toda culpa leva. E deixa a alma leve... Que a tua graça leve!

Ah, como é difícil ser barro! Que grande inimigo abrigo dentro de mim! A vontade é bigorna e o desejo, um martelo, que quando golpeia despedaça sonhos, sufoca o fogo, pisa a brasa, faz cessar o calor... Como está tudo mais frio agora!

E você, amigo leitor?
Oh, miserável homem: Quem te livrará deste corpo de morte?
Acaso pensas tu, oh fraco, que és forte?
Pois estás condenado a esta mesma sorte.

Mas a graça é graça! E se o homem peca, é porque é barro. E se a graça fere é porque é graça! E se o pai corrige, é porque ama.

Sim, sou barro! Mas o barro comprado por sangue...

Sim, sou barro! Mas barro lavado, projetado antes da fundação do mundo para ser um vaso de honra.

E embora temores a mente assole, e mesmo quando tambores anunciam a morte, nenhum pecado mudará minha sorte, pois não é maior que o Cordeiro, nem a Graça, a Promessa, a disciplina, o perdão ou o amor.

À Paulo, o mais profano dos apóstolos.

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Leonardo Gonçalves, eternamente grato pela eterna graça, no Púlpito Cristao

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Não escandalize os meninos do Heavy Metal

 

Por Rubinho Pirola

Há alguns anos, estive no Tribal Generation, um fórum que reúne os que dedicam-se a buscar com a mensagem e o testemunho do evangelho, o pessoal da geração chamada emergente.

Foi em Uberlândia-MG. Muita tribo reunida, muita emoção da minha parte ao ver gente maluca de toda espécie - maluca por Jesus e por gente. Gente de todo tipo. Gente que precisa Dele. E que, apesar da nossa velha expectativa religiosa (e preconceituosa), na maioria das vezes, mudada pela cruz, é transformada completamente, mas só por dentro. Por fora, geralmente, contrariamente do que o nosso farisaísmo podia esperar, continuam os mesmos - nos cabelos, nas roupas e adereços, rigorosamente iguais.

Pois foi aí, em meio a muita coisa de Deus no meu coração, no confronto com essas minhas ideias menores, ridículas que ainda teimavam em estar nos cantos escondidos da alma, é que me encontrei com duas ex-ovelhas, do tempo em que pastoreei uma comunidade que se reunia num velho cinema do centro da cidade.

Deviam cada uma, estar já na casa dos 70, 70 e poucos anos. Mas, não tivesse eu uma memória fotográfica - coisa de cartunista - não as teria reconhecido. Cada uma, vestidinha de preto, dos pés à cabeça, bijouterias esquisitas e pasme, com bandanas pretas a cobrirem os cabelos nevados.

Na hora, eu deixei soltar aquela clássica, fruto do inusitado da cena: "Até vocês, minhas irmãs? O que é isso? Que roupas são essas?"...

Tente imaginar a cena e o meu espanto, diante de duas senhoras, exemplos de oração e dedicação piedosa, duas senhoras septuagenárias, na acepção do termo. Ali, diante de mim, duas malucas, passadas do tempo, com correntes e tudo à volta da cintura.

No momento, explicaram-me rapidamente as duas, com toda a autoridade que os céus lhes dava: "Rubinho, pastor amado, estamos assim porque vamos receber pra um concerto aqueles jovens malucos do death metal" (eu confesso: nunca soube que havia até categorias a dividir os caras do movimento heavy!) e emendaram... "e não queremos de maneira nenhuma escandalizar os meninos!"

Taí... Naquela noite tive - pela primeira vez na minha vida - ouvido no mais estrito senso bíblico que, creio, Cristo havia utilizado para defender os pequenos, os que mais necessitados e distantes estavam da mesa farta da graça de Deus.

Até aquela tarde, só tinha ouvido a aplicação dessa palavra, no lado oposto, como um escudo farisaico contra pessoas, para resguardarem um limite de intolerância e preconceito. Algo usado para proteger gente que, como crente, madura, velha de casa, devia mais era ter misericórdia e força suficiente para rebaixar-se à estatura dos perdidos e débeis na fé, para servi-los apresentando-lhes o amor do Pai. E não o contrário.

Desde há muito, ouvira esse: "Cuidado para não escandalizar", para proteger gente que já devia ter maturidade suficiente para flexionar-se à estatura dos mais novos.

Escândalo, cara, é fazer algo, é portarmos-nos de modo a impedir as pessoas de virem a Cristo. Aplicado a crente, escândalo nada mais é do que frescura.

Aplicado à crentes maduros é incentivar a intolerância, o preconceito e o fechar-lhes a guarda em torno das suas preferências, manias e gostos.

Cristo nos chama hoje a despirmos-nos dos nossos cômodos escudos de proteção contra os outros, daquilo que fazem de nós pedra de tropeço à aqueles que querem vir a Ele. Como aliás, Ele fez, despindo-se que tudo o que possuía no céu e vestir-se dessa roupinha ridícula, sensível, frágil, de humanidade.

Estamos prontos a abrirmos mãos de nós mesmos pelos outros? Até que ponto estamos dispostos a ir para não os escandalizarmos?

Nessa tarde, lembrei-me da lição daquelas duas malucas lindas e amadas da minha terra. E orei pra que nunca percam esse amor e elasticidade no irem até aos pequenos.

Nada mais radical e maluco!

***
Fonte:
Rubinho Pirola

Onde estão os homens inquietos do Século XXI?

 

Por André Sanchez

Para mim, um homem sem inquietações deve parar e analisar se realmente está vivo. Os grandes homens são homens inquietos. Não inquietos dominados pela ansiedade, mas dominados pelo inconformismo, pela energia do desejo de mudar, de conquistar, de avançar, de resolver, de fazer, de melhorar.



Tenho sentido as pessoas muito quietas; tudo está bom, tanto faz, não tem jeito, não tem solução, é melhor deixar pra lá, vou ficar no meu canto...

Maldita quietude que nos faz ficar parados ou até andarmos para trás. Maldita quietude que nos faz virar uns covardes, maldita quietude que nos acomoda, maldita quietude que é gostosa para muitos, mas envenena, vicia e mata...

Deus não ensinou aos seus servos espírito de quietude. Os servos de Deus sempre foram aqueles que deixaram o conforto e mergulharam nas inquietações, foram lá, transformaram e fizeram a diferença guiados por Deus.

Se você está acovardado, quieto, desmotivado, inoperante, improdutivo, acomodado, peço a você que veja e siga o exemplo de pessoas que foram inquietas, que foram corajosas, motivaram, operaram, produziram, realizaram, transformaram; sim, pessoas de carne e osso como nós, mas que não aceitaram a viciante e mortífera quietude:

"Foi pela fé que Abraão, quando Deus o quis pôr à prova, ofereceu o seu filho Isaque em sacrifício. Deus tinha prometido muitos descendentes a Abraão, mas mesmo assim ele estava pronto para oferecer o seu único filho em sacrifício."


"Foi pela fé que Moisés, quando já era adulto, não quis ser chamado de filho da filha de Faraó. Ele preferiu sofrer com o povo de Deus em vez de gozar, por pouco tempo, os prazeres do pecado."


"Foi pela fé que Moisés saiu do Egito, sem ter medo da raiva do rei, e continuou firme, como se estivesse vendo o Deus invisível."


"Foi pela fé que caíram as muralhas de Jericó, depois que os israelitas marcharam em volta delas durante sete dias."


"O que mais posso dizer? O tempo é pouco para falar de Gideão, de Baraque, de Sansão, de Jefté, de Davi, de Samuel e dos profetas. Pela fé eles lutaram contra nações inteiras e venceram. Fizeram o que era correto e receberam o que Deus lhes havia prometido."


"Fecharam a boca de leões, apagaram incêndios terríveis e escaparam de serem mortos à espada. Eram fracos, mas se tornaram fortes. Foram poderosos na guerra e venceram exércitos estrangeiros."

(Hebreus 11. 17, 24, 25, 27, 30, 32, 33 - NTLH)

Extraído de Esboçando Idéias

terça-feira, 15 de junho de 2010

Semeadores e pregadores

E de muitas coisas lhes falou por parábolas e dizia: Eis que o semeador saiu a semear...           – Mt 13.3
A obra do pregador assemelha-se à do semeador. Assim como o semeador, o pregador tem de semear boa semente; tem de semear a pura Palavra de Deus e não as tradições da igreja nem as doutrinas dos homens. Sem isso o seu labor será inútil. O pregador pode andar de um lado para o outro, parecer que diz muito e que se esfalfa na correria semanal das obrigações do ministério; mas não haverá colheita de almas para o céu, não resultará em vidas, nem em conversão.
Assim como o semeador, o pregador tem de ser diligente; não deve economizar esforços; precisa usar de todos os meios possíveis para fazer prósperar sua labuta; é-lhe indispensável semear "junto a todas as águas" [Is 32.20] e "lavrar com esperança" [1Co 9.10]; precisa estar pronto "a tempo e fora de tempo" [2Tm 4.2]; não deve ser detido por dificuldades nem desânimos: "Quem observa o vento nunca semeará" [Ec 11.4]. Sem dúvida, o sucesso do pregador não depende só do seu labor e diligência, mas sem labor e diligência não se alcança o sucesso (Is 32.20; 2Tm 4.2; Ec 11.4).
Assim como o semeador, o pregador não tem poder para dar vida. Pode lançar a semente entregue ao seu cuidado, mas não pode ordenar que ela germine; pode apresentar a Palavra da Verdade às pessoas, mas não tem poder para obrigá-las a recebê-la e a fazê-las produzir frutos. Dar a vida é prerrogativa solene de Deus: "O espírito é o que vivifica". Somente Deus é "que dá o crescimento" (Jo 6.63; 1Co 3.7).
Deixemos que essas reflexões penetrem nosso coração. Não é fácil ser um verdadeiro ministro da Palavra de Deus. Ser um obreiro indolente e formal na igreja é fácil; ser um semeador fiel é terrivelmente difícil. Em nossas orações, devíamos interceder de maneira especial pelos pregadores.
Autor: J. C. Ryle (1816–1900)
Fonte: Day by day with J. C. Ryle, org. Eric Russell, Christian Focus Pub., p.179
Tradutor: Marcos Vasconcelos

Extraído de Mens Reformata

sábado, 12 de junho de 2010

Dia do Pastor

Por Renato Vargens

Neste domingo boa parte da igreja evangélica comemorará o dia do pastor.

Pois é, como já escrevi inúmeras vezes o ministério pastoral não é nada fácil. Cotidianamente os pastores lidam com situações extremamente complicadas onde dor, angústia e ansiedade se fazem presentes. Sem sombra de dúvidas os Ministros do Evangelho  ao conduzirem o rebanho de Cristo desenvolvem um árduo e penoso trabalho. Se não bastasse isso, eles necessitam esmerar-se no estudo da Bíblia, dedicar-se com afinco a oração e piedade, aconselhar os tropegos, admoestar os insubmissos, além de treinar e fazer discipulos ensinando-as a guardar no coração a sã doutrina.

O pior disso tudo, é que parte da igreja não reconhece o valor do pastor. Na verdade alguns irmãos  não tratam de seus pastores como deveriam. Infelizmente conheço inúmeros casos de pastores marcados por igrejas intransigentes, que exigem de seus líderes atitudes sobre-humanas, levando-os a exaustão espiritual.

Isto posto gostaria de  trazer algumas sugestões para aqueles que entendem a complexidade do ministério pastoral e que desejam se tornar incentivadores do seu pastor:

1º- Interceda e ore pelo seu pastor todos os dias. Faça-o saber que está orando por ele.
2º - Preste atenção ao sermão. Dê ao pregador toda a sua atenção, e procure colocar em prática aquilo que está sendo pregado no púlpito.
3º- Decida  aprender com seu pastor. Deixe que o sermão do domingo seja o início do seu estudo semanal. Pegue o que você ouviu e aplique-o às suas outras leituras, estudos e leitura bíblica.
4º Evite fofocas. Proteja o seu pastor incentivando o queixoso a resolver suas questões pessoalmente com ele.
5º - Não joque lenha na fogueira. Seja um "apagador" de incêndios.
6º- Pergunte a si mesmo: Como posso encorajar o meu pastor? O que eu posso começar a fazer, que ainda não tenha feito no passado para animá-lo. Eu estou apoiando o pastor e seu ministério ? Eu mostro isto pelas coisas que eu digo e faço?
7º- Se você tiver dúvidas a respeito do ensino do pastor, pesquise nas Escrituras e estude-as cuidadosamente, com a mente aberta. Discuta a interpretação com seu pastor de maneira franca e sincera, e depois permita ao Espírito Santo guiá-lo e ensiná-lo na verdade. Esteja preparado para diferenças honestas de opinião acerca do significado de algumas passagens.
8º - Encoraje o seu pastor a gastar tempo regularmente em oração e estudo.
9º- Deixe para ele um bilhete de vez em quando mencionando coisas que ele tenha dito ou feito que teve algum significado para você. Menções específicas de como as mensagens têm ministrado a você.
10º - Evite criticas descontrutivas.
11º - Estimule grupos na sua igreja - especialmente aqueles dos quais você faz parte  a encorajar o pastor e a sua família. Converse com outros a respeito dos ensinos dos sermões. Promova conversas e ensino, baseados nos sermões, como uma parte regular das suas conversas na igreja.
12º -  Encoraje a família do seu pastor.

E por fim responda sinceramente: "se você fosse pastor gostaria de ter uma pessoa igual a você como ovelha?

Prezado amigo, valorize seu pastor, com certeza isso agradará ao Senhor.
PS: Que tal escrever para ele ou mandar um mensagem de texto agradecendo a Deus pelo seu ministério?

Renato Vargens