sábado, 26 de junho de 2010

Quero ver provar que Deus não existe

 

Por Clóvis Cabalau

Esta eu pesquei na Super Interessante deste mês e é para deixar o famoso ateísta e cientista Richar Dawkins de cara amarrada. A revista diz mais ou menos assim: “Se por um lado, para alguns cientistas é impossível admitir que certas coisas acontecem por causa de Deus, por outro, é impossível para a ciência provar que Deus não existe”.

Essa afirmação - que é pura ciência - é uma espécie de tiro no pé dos cientistas que ainda não se convenceram de que uma realidade cósmica tão bem planejada [isso mesmo, planejada] não pode ser obra do acaso, ou do caos, de uma explosão como o Big Bang. Consideremos o “grande boommm”: seria muita ingenuidade achar que a disposição perfeita dos planetas e galáxias [pelo menos como conhecemos hoje] e ainda as condições perfeitas da Terra para a existência de vida tenham sido obra do caos. Francamente, é difícil de engolir essa. Muito mais difícil do que acreditar que existe um Criador superior, que, por misericórdia [ou por amor, prefiro eu], nos deu, inclusive, a capacidade pensante de duvidar Dele.

A “culpa” pela incapacidade da ciência de provar a existência é de Galileu Galieli, autor do “método científico”, adotado pelos pesquisadores. A lógica é a seguinte: em vez de simplesmente especular sobre as coisas, Galilei criou um método mais rigoroso. São quatro etapas e só passando por elas é possível se chegar a uma conclusão irrefutável. As etapas são: Observação [Olhe e perceba algo notável]; Pergunta [O que é?, por exemplo]; Hipótese [busque uma provável resposta]; Experiência [faça um teste em circunstâncias controladas para confirmar ou negar a hipótese]. E agora José? Quero ver um cientista provar que Deus não existe? Cadê a prova da sua não existência? Onde procurá-la? E mais: como seria possível criar um teste para medir a existência de Deus?

O problema para os pesquisadores, frisa a Super, “é que a ciência, ao contrário da igreja, não prova as coisas pela negativa [só explicando: um milagre é reconhecido pelo Vaticano quando a ciência NÃO consegue explicar o fato]. Para a ciência, a inexistência de provas não é uma prova de inexistência. Ainda segundo a Super, “a única coisa que a ciência pode fazer é afastar Deus do nosso dia a dia, explicando o Universo e todas as coisas de forma lógica e racional em vez de atribuí-las a fenômenos sobrenaturais. Mas daí a dizer que Deus não existe, vai uma enorme distância. E se Richard Dawkins não gostar, sempre pode tirar as calças e pisar em cima”.
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Postou Clóvis Cabalau, tirando uma casquinha do Dawkins, no
Púlpito Cristão

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Graça profana e barro redimido

Leonardo Gonçalves

Quando conduzido ao pecado, me visto de pensamentos hipócritas. Culpo pessoas pelo erro que é meu e desejo beber de uma graça profana. Busco palavras em escritores pífios, desejo ler meus contos prediletos. Rejeito a priori aquele livro de capa negra que me abre a alma como um velcro, e me desnuda o ser quando desfere o corte.

Porque é que desejo ler Brennan Manning e não o Livro? Porque é que desejo tanto ler um capítulo de Phillip Yancey?

Sim, eu sei: É porque estou desesperado por graça; mas é de uma graça profana que não pune o erro. É porque desejo um Deus que me ame sempre, mas fujo do pastor que com cajado fere. É porque desejo ser abraçado como o pródigo, mas esqueço que há disciplina divina para quem erra.

Ainda bem que a Graça é soberana, e sem contemplar minhas preferências, age. Deixa-me ansioso, enche-me de temores, me confronta e humilha. Mas quando atua, toda culpa leva. E deixa a alma leve... Que a tua graça leve!

Ah, como é difícil ser barro! Que grande inimigo abrigo dentro de mim! A vontade é bigorna e o desejo, um martelo, que quando golpeia despedaça sonhos, sufoca o fogo, pisa a brasa, faz cessar o calor... Como está tudo mais frio agora!

E você, amigo leitor?
Oh, miserável homem: Quem te livrará deste corpo de morte?
Acaso pensas tu, oh fraco, que és forte?
Pois estás condenado a esta mesma sorte.

Mas a graça é graça! E se o homem peca, é porque é barro. E se a graça fere é porque é graça! E se o pai corrige, é porque ama.

Sim, sou barro! Mas o barro comprado por sangue...

Sim, sou barro! Mas barro lavado, projetado antes da fundação do mundo para ser um vaso de honra.

E embora temores a mente assole, e mesmo quando tambores anunciam a morte, nenhum pecado mudará minha sorte, pois não é maior que o Cordeiro, nem a Graça, a Promessa, a disciplina, o perdão ou o amor.

À Paulo, o mais profano dos apóstolos.

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Leonardo Gonçalves, eternamente grato pela eterna graça, no Púlpito Cristao

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Não escandalize os meninos do Heavy Metal

 

Por Rubinho Pirola

Há alguns anos, estive no Tribal Generation, um fórum que reúne os que dedicam-se a buscar com a mensagem e o testemunho do evangelho, o pessoal da geração chamada emergente.

Foi em Uberlândia-MG. Muita tribo reunida, muita emoção da minha parte ao ver gente maluca de toda espécie - maluca por Jesus e por gente. Gente de todo tipo. Gente que precisa Dele. E que, apesar da nossa velha expectativa religiosa (e preconceituosa), na maioria das vezes, mudada pela cruz, é transformada completamente, mas só por dentro. Por fora, geralmente, contrariamente do que o nosso farisaísmo podia esperar, continuam os mesmos - nos cabelos, nas roupas e adereços, rigorosamente iguais.

Pois foi aí, em meio a muita coisa de Deus no meu coração, no confronto com essas minhas ideias menores, ridículas que ainda teimavam em estar nos cantos escondidos da alma, é que me encontrei com duas ex-ovelhas, do tempo em que pastoreei uma comunidade que se reunia num velho cinema do centro da cidade.

Deviam cada uma, estar já na casa dos 70, 70 e poucos anos. Mas, não tivesse eu uma memória fotográfica - coisa de cartunista - não as teria reconhecido. Cada uma, vestidinha de preto, dos pés à cabeça, bijouterias esquisitas e pasme, com bandanas pretas a cobrirem os cabelos nevados.

Na hora, eu deixei soltar aquela clássica, fruto do inusitado da cena: "Até vocês, minhas irmãs? O que é isso? Que roupas são essas?"...

Tente imaginar a cena e o meu espanto, diante de duas senhoras, exemplos de oração e dedicação piedosa, duas senhoras septuagenárias, na acepção do termo. Ali, diante de mim, duas malucas, passadas do tempo, com correntes e tudo à volta da cintura.

No momento, explicaram-me rapidamente as duas, com toda a autoridade que os céus lhes dava: "Rubinho, pastor amado, estamos assim porque vamos receber pra um concerto aqueles jovens malucos do death metal" (eu confesso: nunca soube que havia até categorias a dividir os caras do movimento heavy!) e emendaram... "e não queremos de maneira nenhuma escandalizar os meninos!"

Taí... Naquela noite tive - pela primeira vez na minha vida - ouvido no mais estrito senso bíblico que, creio, Cristo havia utilizado para defender os pequenos, os que mais necessitados e distantes estavam da mesa farta da graça de Deus.

Até aquela tarde, só tinha ouvido a aplicação dessa palavra, no lado oposto, como um escudo farisaico contra pessoas, para resguardarem um limite de intolerância e preconceito. Algo usado para proteger gente que, como crente, madura, velha de casa, devia mais era ter misericórdia e força suficiente para rebaixar-se à estatura dos perdidos e débeis na fé, para servi-los apresentando-lhes o amor do Pai. E não o contrário.

Desde há muito, ouvira esse: "Cuidado para não escandalizar", para proteger gente que já devia ter maturidade suficiente para flexionar-se à estatura dos mais novos.

Escândalo, cara, é fazer algo, é portarmos-nos de modo a impedir as pessoas de virem a Cristo. Aplicado a crente, escândalo nada mais é do que frescura.

Aplicado à crentes maduros é incentivar a intolerância, o preconceito e o fechar-lhes a guarda em torno das suas preferências, manias e gostos.

Cristo nos chama hoje a despirmos-nos dos nossos cômodos escudos de proteção contra os outros, daquilo que fazem de nós pedra de tropeço à aqueles que querem vir a Ele. Como aliás, Ele fez, despindo-se que tudo o que possuía no céu e vestir-se dessa roupinha ridícula, sensível, frágil, de humanidade.

Estamos prontos a abrirmos mãos de nós mesmos pelos outros? Até que ponto estamos dispostos a ir para não os escandalizarmos?

Nessa tarde, lembrei-me da lição daquelas duas malucas lindas e amadas da minha terra. E orei pra que nunca percam esse amor e elasticidade no irem até aos pequenos.

Nada mais radical e maluco!

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Fonte:
Rubinho Pirola

Onde estão os homens inquietos do Século XXI?

 

Por André Sanchez

Para mim, um homem sem inquietações deve parar e analisar se realmente está vivo. Os grandes homens são homens inquietos. Não inquietos dominados pela ansiedade, mas dominados pelo inconformismo, pela energia do desejo de mudar, de conquistar, de avançar, de resolver, de fazer, de melhorar.



Tenho sentido as pessoas muito quietas; tudo está bom, tanto faz, não tem jeito, não tem solução, é melhor deixar pra lá, vou ficar no meu canto...

Maldita quietude que nos faz ficar parados ou até andarmos para trás. Maldita quietude que nos faz virar uns covardes, maldita quietude que nos acomoda, maldita quietude que é gostosa para muitos, mas envenena, vicia e mata...

Deus não ensinou aos seus servos espírito de quietude. Os servos de Deus sempre foram aqueles que deixaram o conforto e mergulharam nas inquietações, foram lá, transformaram e fizeram a diferença guiados por Deus.

Se você está acovardado, quieto, desmotivado, inoperante, improdutivo, acomodado, peço a você que veja e siga o exemplo de pessoas que foram inquietas, que foram corajosas, motivaram, operaram, produziram, realizaram, transformaram; sim, pessoas de carne e osso como nós, mas que não aceitaram a viciante e mortífera quietude:

"Foi pela fé que Abraão, quando Deus o quis pôr à prova, ofereceu o seu filho Isaque em sacrifício. Deus tinha prometido muitos descendentes a Abraão, mas mesmo assim ele estava pronto para oferecer o seu único filho em sacrifício."


"Foi pela fé que Moisés, quando já era adulto, não quis ser chamado de filho da filha de Faraó. Ele preferiu sofrer com o povo de Deus em vez de gozar, por pouco tempo, os prazeres do pecado."


"Foi pela fé que Moisés saiu do Egito, sem ter medo da raiva do rei, e continuou firme, como se estivesse vendo o Deus invisível."


"Foi pela fé que caíram as muralhas de Jericó, depois que os israelitas marcharam em volta delas durante sete dias."


"O que mais posso dizer? O tempo é pouco para falar de Gideão, de Baraque, de Sansão, de Jefté, de Davi, de Samuel e dos profetas. Pela fé eles lutaram contra nações inteiras e venceram. Fizeram o que era correto e receberam o que Deus lhes havia prometido."


"Fecharam a boca de leões, apagaram incêndios terríveis e escaparam de serem mortos à espada. Eram fracos, mas se tornaram fortes. Foram poderosos na guerra e venceram exércitos estrangeiros."

(Hebreus 11. 17, 24, 25, 27, 30, 32, 33 - NTLH)

Extraído de Esboçando Idéias

terça-feira, 15 de junho de 2010

Semeadores e pregadores

E de muitas coisas lhes falou por parábolas e dizia: Eis que o semeador saiu a semear...           – Mt 13.3
A obra do pregador assemelha-se à do semeador. Assim como o semeador, o pregador tem de semear boa semente; tem de semear a pura Palavra de Deus e não as tradições da igreja nem as doutrinas dos homens. Sem isso o seu labor será inútil. O pregador pode andar de um lado para o outro, parecer que diz muito e que se esfalfa na correria semanal das obrigações do ministério; mas não haverá colheita de almas para o céu, não resultará em vidas, nem em conversão.
Assim como o semeador, o pregador tem de ser diligente; não deve economizar esforços; precisa usar de todos os meios possíveis para fazer prósperar sua labuta; é-lhe indispensável semear "junto a todas as águas" [Is 32.20] e "lavrar com esperança" [1Co 9.10]; precisa estar pronto "a tempo e fora de tempo" [2Tm 4.2]; não deve ser detido por dificuldades nem desânimos: "Quem observa o vento nunca semeará" [Ec 11.4]. Sem dúvida, o sucesso do pregador não depende só do seu labor e diligência, mas sem labor e diligência não se alcança o sucesso (Is 32.20; 2Tm 4.2; Ec 11.4).
Assim como o semeador, o pregador não tem poder para dar vida. Pode lançar a semente entregue ao seu cuidado, mas não pode ordenar que ela germine; pode apresentar a Palavra da Verdade às pessoas, mas não tem poder para obrigá-las a recebê-la e a fazê-las produzir frutos. Dar a vida é prerrogativa solene de Deus: "O espírito é o que vivifica". Somente Deus é "que dá o crescimento" (Jo 6.63; 1Co 3.7).
Deixemos que essas reflexões penetrem nosso coração. Não é fácil ser um verdadeiro ministro da Palavra de Deus. Ser um obreiro indolente e formal na igreja é fácil; ser um semeador fiel é terrivelmente difícil. Em nossas orações, devíamos interceder de maneira especial pelos pregadores.
Autor: J. C. Ryle (1816–1900)
Fonte: Day by day with J. C. Ryle, org. Eric Russell, Christian Focus Pub., p.179
Tradutor: Marcos Vasconcelos

Extraído de Mens Reformata

sábado, 12 de junho de 2010

Dia do Pastor

Por Renato Vargens

Neste domingo boa parte da igreja evangélica comemorará o dia do pastor.

Pois é, como já escrevi inúmeras vezes o ministério pastoral não é nada fácil. Cotidianamente os pastores lidam com situações extremamente complicadas onde dor, angústia e ansiedade se fazem presentes. Sem sombra de dúvidas os Ministros do Evangelho  ao conduzirem o rebanho de Cristo desenvolvem um árduo e penoso trabalho. Se não bastasse isso, eles necessitam esmerar-se no estudo da Bíblia, dedicar-se com afinco a oração e piedade, aconselhar os tropegos, admoestar os insubmissos, além de treinar e fazer discipulos ensinando-as a guardar no coração a sã doutrina.

O pior disso tudo, é que parte da igreja não reconhece o valor do pastor. Na verdade alguns irmãos  não tratam de seus pastores como deveriam. Infelizmente conheço inúmeros casos de pastores marcados por igrejas intransigentes, que exigem de seus líderes atitudes sobre-humanas, levando-os a exaustão espiritual.

Isto posto gostaria de  trazer algumas sugestões para aqueles que entendem a complexidade do ministério pastoral e que desejam se tornar incentivadores do seu pastor:

1º- Interceda e ore pelo seu pastor todos os dias. Faça-o saber que está orando por ele.
2º - Preste atenção ao sermão. Dê ao pregador toda a sua atenção, e procure colocar em prática aquilo que está sendo pregado no púlpito.
3º- Decida  aprender com seu pastor. Deixe que o sermão do domingo seja o início do seu estudo semanal. Pegue o que você ouviu e aplique-o às suas outras leituras, estudos e leitura bíblica.
4º Evite fofocas. Proteja o seu pastor incentivando o queixoso a resolver suas questões pessoalmente com ele.
5º - Não joque lenha na fogueira. Seja um "apagador" de incêndios.
6º- Pergunte a si mesmo: Como posso encorajar o meu pastor? O que eu posso começar a fazer, que ainda não tenha feito no passado para animá-lo. Eu estou apoiando o pastor e seu ministério ? Eu mostro isto pelas coisas que eu digo e faço?
7º- Se você tiver dúvidas a respeito do ensino do pastor, pesquise nas Escrituras e estude-as cuidadosamente, com a mente aberta. Discuta a interpretação com seu pastor de maneira franca e sincera, e depois permita ao Espírito Santo guiá-lo e ensiná-lo na verdade. Esteja preparado para diferenças honestas de opinião acerca do significado de algumas passagens.
8º - Encoraje o seu pastor a gastar tempo regularmente em oração e estudo.
9º- Deixe para ele um bilhete de vez em quando mencionando coisas que ele tenha dito ou feito que teve algum significado para você. Menções específicas de como as mensagens têm ministrado a você.
10º - Evite criticas descontrutivas.
11º - Estimule grupos na sua igreja - especialmente aqueles dos quais você faz parte  a encorajar o pastor e a sua família. Converse com outros a respeito dos ensinos dos sermões. Promova conversas e ensino, baseados nos sermões, como uma parte regular das suas conversas na igreja.
12º -  Encoraje a família do seu pastor.

E por fim responda sinceramente: "se você fosse pastor gostaria de ter uma pessoa igual a você como ovelha?

Prezado amigo, valorize seu pastor, com certeza isso agradará ao Senhor.
PS: Que tal escrever para ele ou mandar um mensagem de texto agradecendo a Deus pelo seu ministério?

Renato Vargens

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O Evangelho e A Cabana

Uma coisa é certa: ninguém consegue ler o livro A Cabana e ficar neutro ou imparcial. Quem gosta, gosta apaixonadamente, tanto que geralmente o indica para todos que encontra e compra um monte de exemplares para dar de presente a amigos e conhecidos. Quem não gosta, fica furioso e combate energicamente os pontos que considera heréticos. Não é por outro motivo que aparece quase sempre em primeiro lugar na lista da VEJA dos livros de ficção mais vendidos há mais de 83 semanas consecutivas.

Para um manuscrito que não foi aceito pelas editoras evangélicas, porque o consideraram muito fantasioso e escandaloso, nem pelas editoras seculares, porque fala muito de Jesus e de Deus, isso é um fenômeno impressionante. E não foi somente em terras tupiniquins que alcançou tamanho sucesso. Ficou na lista dos mais vendidos da New York Times por 70 semanas e já vendeu mais de 7 milhões de cópias em inglês.

Pessoalmente, não tive nenhum interesse em ler esse livro até receber entusiásticas indicações de amigos cuja opinião respeito muito. Quando o li, fiquei tão impactado quanto eles. Por ser uma fantasia e não um compêndio teológico, o autor tem toda a liberdade para não ficar preso a clichês evangélicos. Pelo contrário, parece ter prazer em desmanchá-los! Mas a mensagem que passa do amor eterno de Deus pelo homem e do relacionamento maravilhoso que existe entre as pessoas da Trindade é imperdível e de valor incalculável.

Após ler o livro Por Que Você Não Quer Mais Ir À Igreja? de Wayne Jacobsen (o homem que ajudou William Young a reescrever A Cabana) e de ouvir palestras dele numa conferência em Sorocaba, SP (nos dias 5 e 6 de dezembro de 2009), fui sentindo-me muito intrigado com novos aspectos do evangelho que até então não havia percebido. Tanto ao ler os livros quanto ao ouvir o autor, tive a sensação de discordar fortemente de alguns conceitos ao mesmo tempo em que não conseguia descartá-los porque pareciam ter fortes bases bíblicas. Esse sentimento paradoxal, apesar de desconfortável, não é negativo, pois nos impele a voltar-nos para as Escrituras como se nunca as tivéssemos lido antes, em busca de uma revelação mais perfeita da verdade.

Apesar de saber que é impossível transmitir, nas poucas palavras de um artigo de revista, meus pensamentos e descobertas a esse respeito, quero, pelo menos, esboçar alguns conceitos que poderão ser úteis para leitores sinceros que estão trilhando a mesma caminhada em busca de um conhecimento mais profundo de Deus, do seu amor e do seu maravilhoso evangelho.

Lembro-me, como se fosse hoje, de um dia em que meu pai, John Walker, compartilhou conosco uma revelação que acabara de receber. Ele disse que sempre ficara incomodado ao ver que os esotéricos e místicos espíritas têm muito mais facilidade do que os cristãos para acessar o mundo espiritual e apresentar um comportamento tranquilo e cheio de amor e caridade. A razão para isso, de acordo com sua nova descoberta, é que os espíritas não enfrentam o obstáculo do pecado e da lei. Para eles, o pecado consiste apenas em imperfeições que serão sanadas por meio de múltiplas reencarnações e experiências de aprendizagem. Sem o pecado e sem a lei, não sofrem de senso de culpa ou condenação e, por isso, têm facilidade para entrar no nível espiritual e tranquilidade mental e psíquica para demonstrar bondade, educação e caridade ao próximo.

Os cristãos, por outro lado, vivem numa luta constante com o problema do pecado, e isso os faz oscilar entre sentimentos de orgulho e culpa, justiça própria e condenação, exultação e depressão. Por causa desse estado mental, dificilmente entram no nível de revelação espiritual e raramente conseguem sentir ou transmitir paz, alegria e amor para abençoar os que estão ao seu redor.

Em conclusão, podemos afirmar que o problema todo gira em torno do pecado e da lei. Não é por coincidência que a Bíblia inteira, tanto no Velho Testamento quanto no Novo, trata desse assunto! E é por não entendermos a mensagem da Bíblia sobre isso que vivemos tão aquém da herança que Cristo morreu para nos legar.

Os três níveis

Agora, quero apresentar para você uma ferramenta que talvez o ajude a entender essa mensagem e, consequentemente, a tirar proveito da mensagem do livro A Cabana e dos livros e palestras do nosso querido irmão Wayne. Chamo esta ferramenta de OS TRÊS NÍVEIS DO CONHECIMENTO DE DEUS.

O primeiro nível, na verdade, não é um nível de conhecimento; é quando há total desconhecimento de Deus! Chamo os ocupantes desse nível de “pecadores alegres” (em analogia com a expressão popular “bobo alegre”). Uma boa ilustração sobre as pessoas dessa categoria são as doenças assintomáticas. A pessoa pode sofrer de uma doença capaz de matá-la (hipertensão, por exemplo) e continuar sentindo-se feliz e despreocupada porque não apresenta sintoma algum.

Paulo diz em Romanos 7.9: “E outrora eu vivia sem a lei; mas assim que veio o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri...” Sem a revelação do Deus Todo-poderoso, Rei do universo, tão santo e puro que sua mera proximidade, mesmo sem querer, mataria o corrupto e perverso, o homem consegue viver mais ou menos tranquilo. Quando se compara com outros que julga piores do que ele, consegue ficar em paz consigo mesmo e imaginar que sua situação não seja tão ruim.

Quando, porém, “vem o mandamento”, isto é, quando Deus se revela a ele, a situação muda drasticamente. Diante da santidade aterradora de Deus, suas boas obras e “bom caráter” viram trapos de imundícia diante dos próprios olhos, deixando-o horrorizado frente à revelação de seu verdadeiro estado interior. “Os pecadores de Sião [povo de Deus, da igreja!] se assombraram; o tremor apoderou-se dos ímpios. Quem dentre nós pode habitar com o fogo consumidor? Quem dentre nós pode habitar com as labaredas eternas?” (Is 33.14).

Diante dessa crise terrível, a pessoa sai do primeiro nível e entra no segundo, que pode ser chamado de “pecadores desesperados”. Ela sai do estado de ignorância da existência e da força desse horrível mal que existe dentro dela e entra num estado de espanto e perplexidade. Romanos 7 é o capítulo que descreve essa situação com mais exatidão. Não é o estado de um cristão normal, em termos bíblicos. É o início da conversão, mas não o fim! É o estado de uma pessoa que tomou conhecimento da verdadeira natureza de Deus e de sua própria natureza caída e abominável.

Nesse ponto, ela está numa espécie de “terra de ninguém”, semelhante à região que fica entre as duas Coreias; quem anda por lá pode ser morto tanto pelos guardas da Coreia do Sul quanto pelos da Coreia do Norte. A pessoa sente-se acusada pelo diabo e rejeitada por Deus. Parece ser muito pior do que o primeiro nível, mas não é. O ditado “É preciso piorar primeiro para depois melhorar” pode ser aplicado aqui. É muito melhor saber a verdade sobre sua doença do que continuar alegre na ignorância e ser destruído repentinamente. E, para quem realmente experimenta essa crise em profundidade, o grito no final de Romanos 7 expressa perfeitamente o que ele sente: “Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7.24).

De acordo com Wayne, o temor do Senhor é o início da sabedoria, não o fim. O fim é o terceiro nível. O fim é conhecer o amor de Deus que excede todo o entendimento. O fim é saber “que o perfeito amor lança fora o medo; porque o medo envolve castigo; e quem tem medo não está aperfeiçoado no amor” (1 Jo 4.18). Podemos chamar este terceiro nível de “pecadores livres”.

Um bom exemplo da passagem do segundo para o terceiro nível é a conversão do apóstolo Paulo.

Depois do encontro com Jesus no caminho para Damasco, durante três dias de horror, sem comer nem beber, em escuridão física (pela cegueira) e espiritual, só podia estar pensando sobre tudo o que fizera com tanto sacrifício durante toda a sua vida e como estava totalmente errado, totalmente perdido. Foi então que recebeu a visita de Ananias, que lhe trouxe cura, batizou-o nas águas e assim o introduziu no reino de graça e amor do nosso Senhor Jesus Cristo. O alvo de Deus para nós, numa vida cristã biblicamente normal, é que vivamos inundados com a consciência do amor de Deus por nós, livres de toda culpa, condenação, vergonha e medo. Esse é o terceiro nível do conhecimento de Deus.

Cuidado com atalhos

É verdade que os espíritas conseguem acessar o mundo espiritual com muito mais facilidade do que os cristãos, mas, por usarem atalhos e não enfrentarem o problema do pecado e da lei, não é com o Espírito Santo que fazem contato. Os milagres que realizam e a paz e o amor que evidenciam são falsos; vêm por meio de outros espíritos, espíritos enganadores. Se você quiser ter comunhão com Deus e ouvir a voz do Espírito Santo, não pode usar atalhos. É necessário encarar de frente o problema do pecado e da lei santa de Deus. Não existe outro caminho a não ser por meio de Jesus e do seu sacrifício. Para passar do primeiro nível para o terceiro, é necessário enfrentar o segundo!

A grande tragédia hoje é que a maioria dos cristãos se encontra no primeiro ou no segundo nível. É possível participar por muitos anos de uma igreja hoje e nunca ouvir sobre a santidade de Deus, a realidade do inferno e o perigo de ter uma grande decepção no Dia do Juízo. Em muitos púlpitos hoje, só se ouve sobre as bênçãos de Deus referentes à vida financeira, à conjugal e à emocional. Por outro lado, nas igrejas onde há pregações mais sérias, os cristãos vivem atormentados por dúvidas sobre sua salvação e oprimidos por sentimentos de culpa durante a maior parte do tempo. Nesse caso, geralmente tentam aliviar a alma pelo esforço humano, tentando obedecer exortações de seus líderes para darem ofertas maiores, jejuarem mais frequentemente e cumprirem obrigações adicionais.

A única maneira de nos livrarmos dessas situações indesejáveis é por meio de ouvir e crer no evangelho puro de nosso Senhor Jesus Cristo. Realmente ali encontramos boas novas! Não precisamos pegar atalhos nem nos submeter a jugos de escravidão. Podemos sentir-nos totalmente miseráveis e imprestáveis e, ao mesmo tempo, saber, sem sombra de dúvida, que Deus nos ama incondicionalmente. É por causa desse amor que ele providenciou um meio perfeito, não somente para perdoar-nos, mas também para transformar-nos em pessoas santas e irrepreensíveis. Esse é o conteúdo do evangelho, revelado em muitos lugares nas Escrituras e exposto de forma especialmente clara e completa no livro de Romanos. Se foi isso o que ele prometeu, é certeza que vai realizar tudo o que prometeu a nosso respeito.

Para pessoas que sofrem há anos as consequências de viverem no segundo nível, a mensagem de A Cabana traz vislumbres desse evangelho, dessas boas novas a respeito de quem Deus realmente é e como ele pensa e sente a nosso respeito. Para pessoas que nunca tiveram contato com o verdadeiro Deus e não possuem noção alguma da santidade dele nem da própria imprestabilidade, pode ser que a leitura de A Cabana apenas reforce seu sentimento infundado de tranquilidade e seu conceito de um Deus “Papai Noel”, como vovô misericordioso no Céu que passa por cima dos nossos pecados como se não tivessem qualquer importância ou seriedade.

No fim das contas, o que importa não é A Cabana ou sua posição em relação a ela e, sim, em que nível você está no conhecimento de Deus. Jesus disse: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que tu enviaste” (Jo 17.3). Quando os anjos cantaram na ocasião do nascimento de Jesus, com certeza não estavam celebrando uma vida cristã de pecador alegre, nem uma vida atribulada por esforço humano e condenação. Eles estavam louvando a Deus porque agora seria liberada, para os homens, uma vida plena de conhecimento do amor insondável de Deus, manifestado pela ação inédita de enviar seu Filho em forma humana para destruir o poder do pecado e transmitir-nos o dom gratuito da sua justiça.

Não precisamos mais ficar nos primeiros dois níveis – podemos viver como filhos amados no terceiro nível! 

por Harold Walker

Extraído de Revista Impacto